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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

PROTESTE Detectou Agrotóxicos em SP

Avaliação da Anvisa detectou produto químico em excesso em pimentão, morango e pepino. Teste da PROTESTE já alertou para problema até em produto orgânico.



Produtos químicos em excesso foram encontrados em 28% dos vegetais analisados pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas as amostras não incluíram São Paulo. Análises feitas pela PROTESTE e divulgadas em setembro último, em supermercados da capital paulista, também constataram o problema, pois 40% dos produtos apresentaram algum resíduo de defensivo agrícola.
O campeão de irregularidades na avaliação da Anvisa foi o pimentão: 92% das amostras foram consideradas insatisfatórias. Já o teste da PROTESTE detectou que 63% das amostras de uva analisadas continham resíduos de pesticidas. Foram analisadas 8 amostras, e 5 delas apresentavam resíduo de pesticidas (63%). Dessas, duas apresentavam resíduo permitido para a cultura e em valores abaixo do limite e três apresentavam resíduos de pesticidas não aprovados para a cultura.
Dos 34 alimentos não orgânicos, 15 continham resíduos. As análises foram feitas em amostras de alface, couve, pimentão e uva comprados na cidade de São Paulo.
Dos seis alimentos orgânicos avaliados pela PROTESTE, um teve problemas. Foi a couve orgânica da marca Taeq, vendida na loja do Pão de Açúcar da Vila Mariana, em São Paulo, onde detectou-se o produto Ditiocarbamatos acima do limite permitido (86,8 mg/kg). Mas a contaminação da couve orgânica pode ter sido pontual. Isso porque foram refeitos o teste com duas outras amostras de couve orgânica Taeq, e não foram mais encontrados resíduos químicos.
Na avaliação da PROTESTE é inaceitável que quase um terço dos vegetais mais consumidos pelos brasileiros apresente resíduos de agrotóxicos em níveis inaceitáveis. Dos 50 princípios ativos mais usados em agrotóxicos no Brasil, 20 já foram banidos na União Europeia. O endossulfan, achado no pimentão, já não é usado nos EUA e na China, por exemplo. Ele foi reavaliado pela Anvisa em 2010 e terá que ser banido do país até 2013.
Foram analisadas pela PROTESTE nove amostras de pimentão, duas de pimentão orgânico, oito de uva, oito de couve, duas de couve orgânica, nove de alface e duas de alface orgânica em supermercados variados da cidade de São Paulo, para verificar a presença de resíduos de pesticidas nos alimentos. No total foram verificados se havia presença de 294 diferentes tipos da substância.
Diferente do teste similar realizado em 2008 também pela PROTESTE, este ano não foram encontrados vestígios de DDT, BHC e nenhuma das outras substâncias cancerígenas proibidas pela legislação brasileira.
Os outros alimentos mais problemáticos na análises da Anvisa foram o morango e o pepino, com 63% e 57% de amostras com agrotóxicos além do permitido ou não autorizados, respectivamente. Os agrotóxicos são usados para controlar a incidência de pragas.
Os dois problemas detectados na análise das amostras pela Anvisa foram: teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas.
A alface e a cenoura também apresentaram elevados índices de contaminação por agrotóxicos. Em 55% das amostras de alface foram encontradas irregularidades. Já na cenoura, o índice foi de 50%.
Na beterraba, no abacaxi, na couve e no mamão foram verificadas irregularidades em cerca de 30% das amostras analisadas. “São dados preocupantes, se considerarmos que a ingestão cotidiana desses agrotóxicos pode contribuir para o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, como a desregulação endócrina e o câncer”, afirma o diretor da Anvisa, Agenor Álvares.
Por outro lado, a batata obteve resultados satisfatórios em 100% das amostras analisadas. Em 2002, primeiro ano de monitoramento do programa, 22,2% das amostras de batata coletadas apresentavam irregularidades.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Veneno à Nossa Mesa



Tenho absoluta certeza, vocês já se depararam com o tema: Agrotóxicos – ou, como tem sido chamado, o veneno que colocamos, inadvertidamente, à mesa.Mas você sabe o que são os agrotóxicos, também conhecidos por “defensivos agrícolas”? Pois, na tentativa de ampliar a definição que tenho desse produto, fui até o site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a qual regulamenta e fiscaliza produtos e serviços que envolvam risco a saúde, dentre eles os agrotóxicos, seus componentes e outras substâncias químicas de interesse público.

Conforme comecei a ler sobre o assunto, fui ficando cada vez mais estupefato. Sim, esse é o termo. Descobri que os agrotóxicos podem ser divididos quanto ao modo de ação. Os sistêmicos, quando aplicados nas plantas, circulam através da seiva por todos os tecidos vegetais, de forma a se distribuir uniformemente e ampliar o tempo de ação e de contato. Outros agem externamente no vegetal, tendo necessariamente que entrar em contato com o alvo biológico – mesmo esses são absorvidos pela planta, penetrando em seu interior através de suas porosidades.

O fato é que uma simples lavagem dos alimentos, conforme mostrou o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), remove somente parte dos resíduos de agrotóxicos presentes na superfície dos mesmos.

Os agrotóxicos que foram parar dentro dos legumes e frutas, absorvidos por tecidos internos da planta, caso não tenham sido degradados pelo metabolismo do vegetal, permanecerão nos alimentos mesmo que esses sejam lavados. E aí, ao consumirmos esses alimentos, estaremos ingerindo agrotóxicos – seus resíduos.

Se você for curioso, visite o portal da Anvisa e leia a pesquisa “O risco de consumo de frutas e hortaliças cultivadas com agrotóxicos”. Os resultados apontam para duas categorias: ou os agrotóxicos excederam os limites estabelecidos, ou não eram autorizados para determinado alimento. Segue link: http://migre.me/6dqNl

Pois pasme: a pesquisa mostra que o uso abusivo dos agrotóxicos, em desrespeito às indicações da bula de cada produto, somado à negligência ao intervalo de segurança (tempo entre a última aplicação e a colheita dos alimentos), leva à presença de resíduos nos alimentos superiores àqueles estabelecidos em legislação e reconhecidos como seguros, expondo a população a possíveis agravos à saúde.

Ainda assim, os inseticidas metamidofós, banidos em vários países, foram desautorizados no Brasil somente em janeiro de 2011 com a Reavaliação de Produtos Agrotóxicos, e tiveram sua manutenção e licença de importação canceladas.

Estarrecido, mas sabedor da indústria que se mantém por trás disso desde o fim da Segunda Guerra Mundial, bem como a atuação da Agencia Reguladora, pergunto-me: por que agricultores têm necessidade de usar produtos não autorizados? Os agrotóxicos autorizados são realmente eficazes para os alimentos? Os preços dos agrotóxicos são regulados ou monitorados pelo órgão responsável? Como saber quanto veneno estamos ingerindo? Tenho muito mais perguntas a fazer. Por hora, deixo outra informação para você... Caso seja do time que usa água sanitária para remover agrotóxicos dos alimentos, fique sabendo que, até o momento, a Anvisa não tem conhecimento de estudos científicos que comprovem a eficácia da água sanitária ou do cloro na remoção ou eliminação de resíduos de agrotóxicos nos alimentos. Soluções de hipoclorito de sódio, ou água sanitária, podem ser usadas para a higienização dos alimentos na proporção de uma colher de sopa para um litro de água, mas apenas para “matar” agentes microbiológicos que possam estar presentes nos alimentos.

De minha parte, somente sugiro que você não sirva veneno à mesa, pois, conforme foi muito veiculado no mês de agosto deste ano, nosso ranking é de envergonhar: estamos entre os que mais consomem o aditivo, e as consequências podem ser desastrosas. Pense nisso!