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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Como Ajudar Os Mais Velhos


Você provavelmente está vendo seus pais e avós envelhecerem ativos e independentes. O envelhecimento da população brasileira – e mundial – vem se acentuando. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2000, o grupo de pessoas entre 0 e 14 anos representava 30% da população brasileira, enquanto os maiores de 65 anos eram apenas 5%; em 2050, os dois grupos se igualarão em 18%. 

Os avanços da medicina e a melhoria nas condições de vida da população têm contribuído para aumentar a expectativa de vida dos brasileiros, que subiu 17 anos entre 1940 e 1980 – de 45,5 para 62,6 anos, respectivamente. Em 2000, esse indicador chegou aos 70,4 anos, e deverá atingir 81,3 anos em 2050, quase o mesmo nível do Japão (81,6 anos), primeiro colocado no ranking. Aqui vão dez dicas para melhorar ainda mais a qualidade de vida dos idosos que convivem com você.

1. Conserte os problemas na casa deles

“É importante escutar o idoso. E não devemos tratá-lo como uma criança”, diz Marianela Flores de Hekman, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, destacando a importância de estarmos atentos às suas necessidades. 

Se, por exemplo, você perceber que seus pais ou avós não dizem que algo quebrou em casa para não incomodá-lo, reforce o fato de que não quer mandar na vida ou na casa deles, sugere Marianela. Faça uma vistoria de manutenção e troque algumas lâmpadas, se necessário. Verifique se as maçanetas das portas são fáceis de abrir, e se as torneiras e descargas funcionam direito. Lubrifique dobradiças de janelas e portas, se estiverem emperradas. O gás deve ter sistema de segurança e é importante haver na casa algum tipo de alarme contra fumaça.

2. Facilite-lhes o caminho

Subir escadas pode ser uma tarefa árdua quando existe uma doença que compromete as articulações ou quando o próprio caminhar já é difícil. É recomendável manter escadas, banheiros e qualquer área de circulação bem iluminados. Procure uniformizar os pisos; ponha adesivos antiderrapantes no chão do banheiro e nas escadas; retire tapetes que possam provocar tropeções; e proteja as quinas de móveis. 

Para prevenir acidentes no banheiro, instale apoios no boxe para evitar que escorreguem. Você também pode pôr um corrimão junto ao vaso sanitário e, se possível, elevá-lo alguns centímetros com um assento especial, que ajuda na hora de se sentar e ficar de pé. 

3. Organize as consultas médicas e os remédios

“Tenho pacientes que tomam uma dose da medicação e depois se esquecem de continuar o tratamento”, revela o Dr. Carlos Montes Paixão Júnior, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. “Acontecem falhas de memória e ainda há o risco de o idoso dobrar a dose prescrita.” 

Para evitar que isso aconteça, pergunte a ele se quer que o acompanhe ao médico. O Dr. Carlos acrescenta que a família deve se preocupar com a saúde das pessoas mais velhas, visitando-as regularmente. Certifique-se também de saber onde guardam documentos médicos (receitas, cartão da previdência social, exames) ou guarde com você uma cópia desses documentos.

Os riscos aumentam quando os idosos moram sozinhos ou estão doentes. “Se os fihos são presentes e ativos, perceberão quando os pais estão perdendo a autonomia”, diz o Dr. Carlos. O geriatra lista alguns sinais importantes: geladeira ou despensa quase vazia, pois o idoso não consegue mais fazer compras sozinho; dificuldade de andar na rua, enxergar ou acompanhar uma conversa; casa desarrumada; dentes malcuidados; emagrecimento inexplicado. 

Se não há quem cuide de seus pais ou avós, uma alternativa são os asilos ou lares para idosos. O Dr. Carlos diz que algumas famílias se satisfazem com o mínimo de informações ou apenas uma indicação de amigos ou de conhecidos. “Averiguar a competência técnica dos profissionais que trabalham no asilo, a aparência dos moradores, visitar e entrevistar os administradores, levantar mais informações sobre o local junto aos órgãos de classe são medidas que devem ser tomadas antes da escolha”, adverte ele. 

Ainda segundo o geriatra, pais e avós devem fazer um exame clínico uma vez ao ano, mesmo afirmando que se sentem bem. Esses exames podem ajudar no diagnóstico precoce de demência ou depressão e de problemas freqüentes nesta faixa etária, como câncer de pele, glaucoma, catarata, hipertensão arterial, dificuldades motoras, perda auditiva, etc.

4. Acompanhe-os às compras

Isso reforça o carinho e a atenção com o idoso, e também serve para você perceber se estão comprando os alimentos certos para sua nutrição. “Meu neto de 18 anos se preocupa comigo e é muito prestativo. Somos vizinhos e, quando estou doente, ele vem aqui me trazer comidinhas”, conta Isaura Martins de Barros, 64 anos.

5. Compartilhe com eles algum passatempo

Um meio de fazer pais e avós felizes é participar do passatempo da escolha deles. Isso os ajuda a manter a mente ativa e melhora o humor. Comentar notícias de jornal, assistir juntos aos programas de TV preferidos, levá-los ao cinema ou ao teatro, escutar as histórias da infância deles, e sair para passear. “O fundamental é perguntar antes o que eles querem fazer”, frisa a psicóloga e geriatra gaúcha Odair Perugini de Castro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e autora de Velhice, que idade é esta?, que trabalha, incansavelmente, aos 86 anos. 

6. Ajude-os com os afazeres

“Tenho osteoporose e sinto muitas dores”, explica Dalva Souza, de 66 anos, “mas conto com minhas filhas, que vêm sempre me visitar e me ajudam nas tarefas domésticas em casa, quando fico doente.” Da mesma forma, é importante estimular os idosos a fazer atividades que ainda possam realizar, como arrumar a própria cama e ajudar no preparo dos alimentos.

7. Ligue para eles pelo menos uma vez por semana

O isolamento e a solidão provocam depressão em qualquer pessoa, principalmente nos idosos. “Nem sempre eles se isolam porque querem, muitas vezes o ambiente os isola”, afirma a Dra. Odair. 

Reunir-se com eles semanalmente demonstra sua consideração. Outra boa idéia é comprar para eles um telefone celular ou mesmo ensiná-los a navegar na Internet a fim de facilitar o contato e incluí-los na realidade atual. 

8. Seja o motorista deles uma vez por mês

Idosos necessitam fazer atividades sociais, trâmites legais ou pagamentos, mas não é fácil se deslocarem. Sobre isso, o advogado Valmir Martins de Barros diz: “Depois que minha mãe ficou viúva, passei a levá-la de carro às compras e a algumas consultas médicas.” 

É importante ajudá-los a fazer os pagamentos mensais, lembrando-lhes as datas, por exemplo. Quando você for fazer suas compras, pergunte-lhes se precisam de algo. Ou apenas reserve um tempo para conviver com eles. É dever dos filhos zelar pela integridade de pais idosos. 

9. Faça uma surpresa de vez em quando

Você se lembra quando seus avós lhe davam presentes? Pois eles se sentem da mesma forma toda vez que você lhes dá uma lembrança ou escreve um cartão dizendo o quanto são amados. O importante é presenteá-los com algo que demonstre que você pensou neles, como um jogo simples de habilidade manual para distraí-los, por exemplo. 

“A presença de entes queridos é, seguramente, o melhor presente para alguém que, afinal, ajudou a formar aquela família. E, depois de uma vida inteira de sacrifícios, eles precisam apenas do carinho de um neto ou de um filho para ter garantida a felicidade da semana que, na maioria das vezes, é muito solitária por causa da ausência de atividades que preencham sua vida”, afirma o Dr. Carlos. 

10. Motive-os a se exercitar

É importante estimular os idosos a fazer exercício físico e fortalecer o corpo, sempre de acordo com suas possibilidades e interesses. “O exercício mantém e melhora a capacidade física e mental do idoso. E ainda estimula o convívio social. Os mais velhos, que às vezes são deixados de lado, passam a fazer parte de um grupo social. Isso diminui o isolamento”, afirma Clineu Almada Filho, geriatra da Universidade Federal de São Paulo e diretor do Núcleo de Pós-Graduação em Geriatra. 

O Dr. Clineu encaminha alguns de seus pacientes para o Centro de Estudos em Ciências da Atividade Física (Cecafi), da disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP, coordenado pelo fisiatra José Maria Santarém, que trabalha o fortalecimento muscular dos idosos com o apoio de equipamentos criados especialmente para a terceira idade.

“O idoso se torna mais frágil e vulnerável. Ele sofre uma alteração estrutural com perda de massa muscular e ganho de tecido adiposo”, adverte o Dr. Clineu. Por isso, se antes não praticavam exercício físico com regularidade, devem se submeter a avaliação e acompanhamento. 

Recomenda-se, também, que sigam um programa adaptado às suas atividades e necessidades pelo menos em três níveis de exercício: aeróbico, benéfico para o coração (caminhar, correr, pedalar); de resistência física (musculação); e de flexibilidade e agilidade (tai-chi e ioga, que se aplicam aos dois últimos níveis).

sexta-feira, 18 de março de 2011

Idosos: O custo da Gratuidade

Passageiros da terceira idade podem, como manda a lei, viajar de graça no Rio de Janeiro. Mas quem não tem o cartão RioCard passa por algumas situações constrangedoras





Os direitos dos idosos estão garantidos por lei, mas será que são respeitados? A Proteste foi a campo verificar o respeito às leis e também o aspecto social em um dos setores mais importantes no dia a dia da terceira idade, já que é aquele que garante a mobilidade: o transporte. Nosso cenário foi o rio de Janeiro, cidade que recebe turistas da terceira idade de todo o mundo. Verificamos que é possível o idoso viajar degraça tranquilamente no ônibus com o rioCard (cartão que funciona como vale-transporte eletrônico), mas, sem ele, a situação fica um pouco complicada – e até constrangedora. Além disso, constatamos que, socialmente, ainda falta um pouco de respeito.

Alguns não param no ponto

A primeira avaliação foi verificar as denúncias de que alguns ônibus não param no ponto quando um idoso faz sinal. Em nosso estudo, verificamos que isso, de fato, acontece. Na maior parte dos casos, nossos pesquisadores tiveram sua solicitação de parada atendida de primeira. Mas, em 8,5% das vezes, foi necessário fazer sinal para mais de um veículo antes de conseguir embarcar. Nos ônibus com ar condicionado, o problema foi mais frequente do que com os veículos comuns. Já nos micro-ônibus e micrões (veículos maiores, semelhantes aos ônibus interestaduais, com tarifa mais alta), a situação foi bem mais rara. Quanto ao tipo de trajeto, os ônibus que circulam apenas dentro do município foram muito mais propensos a deixar o idoso no ponto do que os intermunicipais. Em geral, ao ter seu sinal ignorado por um motorista, os idosos conseguiam tomar o coletivo seguinte da mesma linha. Porém, houve casos em que foi necessário fazer sinal para um terceiro veículo antes de conseguir embarcar.

Tem quem não aceite documento

Mas o maior problema que constatamos mesmo foi em relação às viagens sem o cartão rioCard. Ao mostrar apenas a carteira de identidade, os idosos se depararam com algumas dificuldades – e alguns nem sequer conseguiram seguir viagem (8,5%). em alguns casos, os pesquisadores tiveram que preencher ou assinar uma ficha fornecida pelo motorista ou trocador. Entre todos os segmentos de ônibus investigados, os com ar condicionado são os que, em maior proporção, não cedem gratuidade aos idosos sem o cartão (20,5%), com destaque para a linha 2015 da real Auto Ônibus, que só tem o veículo popularmente conhecido como "micrão". Nessa linha, todos os idosos tiveram seu direito à gratuidade negado. outras linhas que não deixaram o idoso embarcar sem o cartão foram: a 2016, também da real; a 484, da Breda rio; e a 740, da Braso Lisboa. Em alguns veículos, porém, uma solução bem simples foi apresentada ao idoso. em vez de não poder seguir viagem ou ter que preencher uma ficha, o passageiro sênior foi solicitado a apresentar seu documento a uma câmera e, então, embarcou.

Descer e subir de novo

Um inconveniente de viajar sem o rioCard, porém, não teve solução: mesmo após ter o direito de gratuidade aceito, mais da metade dos idosos não pôde passar pela roleta. eles precisavam subir pela porta de embarque para mostrar o documento e, então, descer e subir de novo, agora pela porta de desembarque. Para um idoso, especialmente se ele tiver dificuldade de locomoção, essa ginástica não é nada saudável. Com relação aos assentos preferenciais, em ônibus intermunicipais, a maior concentração é na parte da frente do veículo – o que facilita o acesso dos idosos. Já nos ônibus que circulam dentro do município, em geral esses assentos ficam distribuídos mais para o meio ou logo depois da roleta. Mas há veículos em que eles não foram localizados, embora a maioria (91,4%) os tenha e os sinalize claramente. em média, cada ônibus avaliado possui entre três e quatro assentos para idosos.

Preste atenção aos recibos

Ao avaliar o estudo, os pesquisadores disseram que ser idoso e andar de ônibus no rio é "ter que superar o desrespeito e a falta de paciência por parte de motoristas, trocadores e usuários". Um dos pontos negativos citados foi que os motoristas não esperam o idoso sentar para seguir viagem. outro aspecto apontado é que, muitas vezes, eles param o veículo no meio da rua, em vez de encostar próximo à calçada, para embarque e desembarque. eles criticaram a falta de fiscalização a respeito da gratuidade do idoso e relataram alguns casos em que foram tratados com desrespeito e até com galhofas. Mas essa situação não foi observada só com funcionários das empresas. outros passageiros também, muitas vezes, foram pouco gentis, segundo os relatos, principalmente em relação a ceder os assentos preferenciais. Houve casos em que havia idosos viajando em pé, enquanto não idosos ocupavam esses assentos. 

Estatuto garante direito

O Estatuto do Idoso garante direitos fundamentais para que as pessoas da terceira idade possam gozar de todas as oportunidades e facilidades, inclusive para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. É direito dos maiores de 65 anos a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos de todo o país. Para ter acesso à gratuidade, basta que o idoso apresente “qualquer documento pessoal que faça prova de sua idade”. Além disso, é obrigatória a existência de uma placa indicativa no local reservado preferencialmente para idosos nos transportes públicos. A lei diz, ainda, que:

• é assegurada a prioridade do idoso no embarque no sistema de transporte coletivo;

• discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso aos meios de transporte, é crime com pena de reclusão de seis meses a um ano e multa.

A PROTESTE realiza uma campanha, desde o ano passado, com o objetivo de conscientizar os idosos de seus direitos e mobilizar a sociedade para o respeito à dignidade dos mais velhos. No ano passado, distribuímos cartilhas e panfletos nas ruas sobre regras para aumento nos planos de saúde. Este ano, vamos partir também para uma campanha maciça no interior dos veículos de transporte público.

Como foi feito o estudo

Com o objetivo de investigar situações relacionadas ao transporte em diferentes linhas de ônibus do Rio de Janeiro, especialmente no que se refere ao cumprimento da lei da gratuidade, realizamos um estudo através da técnica do "cliente misterioso" – ou seja, convidamos e treinamos um grupo de pessoas com mais de 65 anos para testar o serviço e avaliá-lo. Ao final da etapa de coleta, foi realizada uma entrevista com cada pesquisador a fim de explorar a fundo suas experiências.Realizamos também gravações em vídeo em copacabana, bairro que concentra a maior população de pessoas com mais de 65 anos do país, a fim de captar relatos e cenas de idosos em situações reais de uso do transporte público por ônibus.As viagens foram realizadas entre os dias 3 e 13 de maio de 2010. foram investigadas 23 linhas de ônibus de diferentes empresas, sendo que todas as linhas passam por Copacabana e três são intermunicipais. Verificamos o tratamento em veículos com e sem ar, além dos micro-ônibus. Nossos pesquisadores fizeram viagens com e sem o Riocard sênior.